domingo, 30 de janeiro de 2011

Céu (I)




Era fim de tarde...
O sol preparava-se para se pôr...
E Ele, preparava a varanda como de costume,para ver  o nascer das estrelas...
Foi preparar o café,já estava na garrafa...
No caminho, à queda!
Levantou,
Abriu,
Olhou.
Lá dentro, escuridão.
Apenas um feixe de luz, não muito claro, o permitia...
Estava em cacos,o vidro, a ampola...
No café escuro,brilhavam os cacos.
O Céu.
As Estrelas.
Quando deu por si,o pôr-do-sol já ocorrerá e a primeira estrela já brilhava.
Sempre estivera, lá...
O café, o céu
Os cacos, as estrelas.
Era necessário que tudo estivesse escuro.
Luz, na luz nada serve.
A escuridão que necessita ser iluminada.
E Ele, via a estrelas...os cacos,
Só no escuro,
No escuro é possível enxergá-las...
Luzes da escuridão.
Ele, o Céu, o Café...Só à noite...
Via-se as estrelas...




GELADEIRA



No sofá, reflito.
Meus devaneios ...
Minhas dúvidas...
Meus desejos...
Nada.
Então, abro a geladeira.
Fico à olhar,
Nada.
Espero ao abrir, encontrar uma resposta, uma solução...
Lá, na geladeira...
Nada.
Abro, fecho.
Fechando e abrindo a geladeira, sem ter um motivo, um porque...
Sento no sofá.
Situação claustrofóbica,
A de estar presa aos meus pensamentos,
Carregados de miuçalhas.
Mísero.
Fugaz...
Me sinto impotente...
Desejar não pensar, é já estar pesando...
Foge do meu controle.
É no silencio da madrugada...
Que procuro, e ...
Nada.
Abro a geladeira...
Situação inicial.
Todos abrem a geladeira para nada!
Reflito.
Nada,
Tudo.

A ESPERAR

Minha alma está inquieta.
Minha mente inflama.
Há tanto que eu queira falar, que me faltam palavras para escrever.
Algumas coisas são incômodas, e no recôndito do meu ser, teimam em permanecer.
Sinto vontade de gritar, mas há algo que me impede. Logo a mim, que aos outros pareço bem resolvido.
Ironia.
Confuso, barulhento, heterogêneo, gritante, tímido, louco, metamorfosicamente se mantém meu espírito.
Me nego, não devo ouví-lo.
Assim irão me reprimir.
Procuro ajuda, mas não consigo pedir.
Tu, permaneces parada, ali, em meio a este louco cenário...
Consigo sempre te ver...
Não consigo falar-te.
Espero.
Desejo.
Vêm a o meu encontro, não esperas que eu fale.
Não consigo, estou engasgado.
Entenda meu silêncio...minha fala demasiada...
De alguém que não tem coragem...
Mas que no âmago...
Te espera.

domingo, 23 de janeiro de 2011

PARADIGMA




Um passo a frente, fracassado.
Um passo para trás, covarde.
Imóvel,
Grito.
- Louco!
Calo,
Desencorajado.
Acredito,
Inocentemente.
Finjo que não vejo...
Culpado.

domingo, 16 de janeiro de 2011

METAMORFOSE






Você não esperou a evolução.
Desistiu, quando  ainda estavamos no casulo.
Motivos?.
Julgava ser difícil, apertado...não sei...
Talvez faltasse a ti coragem, certeza...
Não soubeste esperar pela borboleta.
Derrepente,  parece que esqueceste de que as coisas boas, tendem a ser mais difíceis, mais demoradas...
Requer persistência para serem alcançadas em sua completude.
Mas, sua fragilidade encanta...desperta desejos...
São lindas as borboletas, mas lembra-te:
- antes das borboletas estão lá as lagartas.
Agora que sou borboleta, percebes que tudo se torna interesse, tudo é novidade ?!
Querias tu agora a borboleta?!
- não cuidaste do casulo...
Agora as asas  permitem voar para longe de ti...
E se  queres, agora precisas correr.
Pois quem voa, costuma ser rápido...
Mas, a sempre uma chance de “captura”.
Se mereceres a borboleta, ela poderá voltar...
E ainda que longe, os ventos a trazem em um movimento de idas e voltas...
Percebes o vento?
É o ecoar da suas asas.
Lembra-te : - borboletas  são sempre borboletas.
Sempre belas novidades...


TEMPORAL




Criador e criatura
das coisas mais nobres,
das coisas mais sujas.
Corre. Inventa e reinventa,
Que ainda há tempo.
Foi tu quem o criaste...
Ele  simplesmente há....
Simplesmente existes.
Criatura temporal, criador do tempo...
Progressoras e Regressoras são tuas atitudes,
Pensamentos...
Impermanentes e eternos.
Criador do tempo...
Criatura das coisas temporais...
Corre!
Que ainda há muito,
Muito,muito...
Tempo.
Eternizarás.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

E Foi




Ela estava quase sufocando
Quando decidiu ir...
E foi.
Pois,desejava alto e longe,
Sonhava.
Acreditou.
Quando deu conta de  si.
já  havia chegado lá.
O que fez?
- Não muita coisa, na verdade quase nada.
pensou em voltar...
Pesou.
O caminho de volta já lhe era conhecido, nada mais tinha a desbravar.
Tomou o desafio de fazer o novo, de novo, real, imaginário...
Deu-lhe formas, silhuetas sinuosas...
E no mais, nada fez!
Topô a parada e foi...
Viveu...

domingo, 9 de janeiro de 2011

A Despedida




Estado conturbado na minha alma
Vontade de chorar
Sua credibilidade jogada de lado por motivos fúteis não me permite pensar no amanhã.
O que eu fiz?
Confiei e dei abrigo.
Abri as portas do coração.
Expressou uma grande vontade de amar.
Amou?
Uma lágrima cai.
Fui boba.
Mostrou-me ser tão sincero.
Mentira!
Partiu sem dar explicações.
Um adeus, não ouvi.
Infeliz mente amo.
Sofro!
Faço dessa lágrima um doce remédio para uma cura tardia.





(Texto escrito por Rennan Mendes- dedicado a Camila Aguiar)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Um mar



Queria o mar...
Coisas muitas, muitas coisas
Um mar de coisas...
Das belas, das tristes,
Que fossem e voltassem
À minha vida, como as ondas,
Que todos os dias banham à praia e apagam meus passos...
Estou só.
Acompanho o vento,
Guiam-me as nuvens;
Na pedra,
Tomas meu pensar e meu pesar.
Uma dose de loucura,
Em uma eterna espera.
Dispostos.
Eu, o mar, o vento...
Caminhamos.
Em torno de uma nuvem de indiferença,
A vida segue...
Até o reencontro...

C.A

NO RALO





Essas são as lágrimas do meu silêncio .
Delírios vivenciados embaixo do chuveiro.
Escuto um barulho...
É água que desce pelo ralo.
Pelo ralo.
Também desce minhas ilusões, minha farsa, minha vida...
Que tentando vivê-la dignamente, oculto minha face...
A obscura que carrego minhas magoas, meus medos, minha justiça e injustiça.
Que guardo os gritos, aqueles que foram censurados e não expressei.
Como me torna pesada esta face!
Penso ser injusta...
Comigo e com o outro.
Por não ter coragem de gritar tudo aquilo que ainda não tenho coragem de escrever aqui...
Retomo ao estado inicial...
Silêncio.
Permanecem nesse delírio :
- eu e o ralo-
O ralo...
C.A

Pílula

O âmago do meu ser estar borbulhante.
Tudo move-se incessantemente. Não consigo organizar.
Foge-me a razão.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

EPIFANIA




Caminhava na rua, quando vi uma mulher deitada no canto da calçada. Gemia.
Passavam de um lado pra o outro.
Estavão surdos?
Sentei ao seu lado.
 Calado.
Perceberam, ao menos não eram cegos...
Olharam torto e seguiram à caminhar.
E eu ali, sentado, ainda que parado, comecei uma nova caminhada...
Desta vez o destino era lugar algum...na cidade de ninguém, no estado dos abandonados.
Chegando lá, parei.
Todos me olharam, sem nenhuma expressão;
Neste instante, percebi que ali havia ocorrido um grande roubo, de algo precioso e de verdadeira importância...
Tal,
ninguém sabe quando vai embora, mas cria grandes expectativas  a cada nova chegada...
Algo inexplicável emocionalmente...tem grande valor e não é valorizado.
Senti falta, da vida.
Nascer do ventre de uma mulher não é suficientemente ter vida, é preciso um pouco mais...
Alegria , comida, trabalho, casa, escola, saúde e família são necessários para formar a vida.
Ali faltava tudo, faltava vida. E a mim, apesar de tudo isso, também faltava vida...
Voltei a estar sentado, ainda na calçada ao lado da mulher...
Encontrei a resposta.
Na verdade não era vida que me faltava, era eu quem faltava a ela, era minha vontade de viver...
Esta, havia se perdido na fumaça do óleo diesel, na tela do computador e em tudo aquilo que julguei ter tanta importância, que acabei por esquecer das coisas mais simples ...
Respirei.
Dei-me por conta de como algo tão simples quanto inspirar era maravilhoso...
Sorrir para comigo mesmo e olhando para mim o garotinho que passava também sorriu...
Foi tão impulsional, não custou nada e foi mágico...
Passei tanto tempo ali meio sentado, meio de cócoras, que as pernas adormeceram, fui levantar e a mulher que antes gemia, ofereceu-me a mão e nada me pedia...chorei.
Enxugando as lágrimas, senti um vento, um sopro...
Olhei para trás , era a vida, que tinha me cumprimentado.

by: C.A

FARSA






Vivo chafurdada nessa dose de realidade ,crua e dolorosa de ser degustada...
A vida.
Desejaria melhor viver...num sonho, romântico e leve...
Como sou uma farsa!
Descubro isso a cada instante.
Me indigna.
Pensar  que se me despojo do que sou, posso torne-me aquilo que desejava ser e parecia intocável.
Na verdade não sei se sonho acordada ou se acordar é um sonho...
Uma farsa...

by: C.a

BOOM! Eu gritei.




Boom!
Escuto gritos.
São altos, fortes, trêmulos.
Não entendo, não compreendo.
De onde eles vêem?  Será da casa do vizinho?
Creio que não, são muito calmos, não gritariam assim...
Fecho os olhos,tapo os ouvidos.
Ainda gritam. E agora mais forte, mais forte a cada instante...
Não quero ouvir , me nego, ignoro.
 Mas, nada adianta.
Abro o s olhos!
São internos.
 Os gritos vêem de dentro. Não dá para fugir .
E agora o que faço? Devo escutá-los, socorrê-los?
Agora chove.
E eles aumentam seu tom. Confundem-se.
Na confusão, deixam escapar seu nome:  - emoção.
Peço que parem.
 Porém teimoso é o coração.
Está sempre em contradição com a minha mente , e descubro que nem sempre ele está com a razão.
Razão. Razão?
Objeto desconhecido....
Emoção. Emoção?
Algo inexplicável, vivido a cada instante, por todos os seres viventes dotados de um coração.
Boom!
Cessam os gritos.
Não sei o que é mais difícil...
Se é não ouvir os gritos ou entender  que no silêncio materializamos decisões.
Inato.
Mantenho meu paradigma. Driblo a gritaria.
Fecho a cortina e me deito. Na esperança  que no outro dia, tudo se desfaça.
Boom!
Caio no sono. Tranco os gritos.
Fujo de mim.
Boom!
Não resistir.
Sinto-me incomodado. Abro os olhos...
Boom!
Ouçam!...
Eu gritei.

by: C.A

domingo, 2 de janeiro de 2011

SOBRE um FRÁGIL



Chega à noite. E dentro dessa psicodelia de ideias, tu me apareces e causa um efeito estroboscópico em minha razão.
Acreditas tanto em mim, que temo.
- Não me idealize como um ser frágil em tal grau que tu com teus três jeitos, conseguiria espedaçar-me tão facilmente.
Lembrai -vos que somos em comum, humanos.
E viver essa humanidade, é constatar paulatinamente  nossa fragilidade...
Percebes a taça em que bebes a bebida dos deuses...
O vinho que tanto  aprecias...
Mais frágil que seu cristal, são teus olhos.
Basta a eles uma luz mais intensa, para assim ofuscar-te a vista.
- Mais frágil que tua taça, és tu!
Experimenta quebra - lá entre tuas mãos...
Sangrarás!
E quando sangrares , lambe tua mão e bebe do teu sangue.
- percebes que tua fragilidade é também tua força ?
É nesse momento que tu alvitarás da minha figura... e verás que sou tão frágil quanto forte.
Tu mesmo se despedaça em teus devaneios ...
A mim, restará de ti o tanto quanto idealizas...
A imagem de um ComPleTo FRÁGIL.



by: C.A