segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

EPIFANIA




Caminhava na rua, quando vi uma mulher deitada no canto da calçada. Gemia.
Passavam de um lado pra o outro.
Estavão surdos?
Sentei ao seu lado.
 Calado.
Perceberam, ao menos não eram cegos...
Olharam torto e seguiram à caminhar.
E eu ali, sentado, ainda que parado, comecei uma nova caminhada...
Desta vez o destino era lugar algum...na cidade de ninguém, no estado dos abandonados.
Chegando lá, parei.
Todos me olharam, sem nenhuma expressão;
Neste instante, percebi que ali havia ocorrido um grande roubo, de algo precioso e de verdadeira importância...
Tal,
ninguém sabe quando vai embora, mas cria grandes expectativas  a cada nova chegada...
Algo inexplicável emocionalmente...tem grande valor e não é valorizado.
Senti falta, da vida.
Nascer do ventre de uma mulher não é suficientemente ter vida, é preciso um pouco mais...
Alegria , comida, trabalho, casa, escola, saúde e família são necessários para formar a vida.
Ali faltava tudo, faltava vida. E a mim, apesar de tudo isso, também faltava vida...
Voltei a estar sentado, ainda na calçada ao lado da mulher...
Encontrei a resposta.
Na verdade não era vida que me faltava, era eu quem faltava a ela, era minha vontade de viver...
Esta, havia se perdido na fumaça do óleo diesel, na tela do computador e em tudo aquilo que julguei ter tanta importância, que acabei por esquecer das coisas mais simples ...
Respirei.
Dei-me por conta de como algo tão simples quanto inspirar era maravilhoso...
Sorrir para comigo mesmo e olhando para mim o garotinho que passava também sorriu...
Foi tão impulsional, não custou nada e foi mágico...
Passei tanto tempo ali meio sentado, meio de cócoras, que as pernas adormeceram, fui levantar e a mulher que antes gemia, ofereceu-me a mão e nada me pedia...chorei.
Enxugando as lágrimas, senti um vento, um sopro...
Olhei para trás , era a vida, que tinha me cumprimentado.

by: C.A

2 comentários:

  1. "Na verdade não era vida que me faltava, era eu quem faltava a ela, era minha vontade de viver..." Putz... Muito bom, Camila... Poético e profundo como nos contos de Clarice L.... Sempre soube que vc era uma excelente escritora... Quero ver mais... Esse foi muito bom! Vou seguir o seu blog!

    ResponderExcluir
  2. Nossa, Washington...
    Clarice é muito para mim..
    Mas, muito Obrigada...fico feliz por vocÊ ter
    gostado.

    ResponderExcluir