sábado, 8 de janeiro de 2011

NO RALO





Essas são as lágrimas do meu silêncio .
Delírios vivenciados embaixo do chuveiro.
Escuto um barulho...
É água que desce pelo ralo.
Pelo ralo.
Também desce minhas ilusões, minha farsa, minha vida...
Que tentando vivê-la dignamente, oculto minha face...
A obscura que carrego minhas magoas, meus medos, minha justiça e injustiça.
Que guardo os gritos, aqueles que foram censurados e não expressei.
Como me torna pesada esta face!
Penso ser injusta...
Comigo e com o outro.
Por não ter coragem de gritar tudo aquilo que ainda não tenho coragem de escrever aqui...
Retomo ao estado inicial...
Silêncio.
Permanecem nesse delírio :
- eu e o ralo-
O ralo...
C.A

2 comentários:

  1. Adoro mesmo essas misturas entre o concreto e o abstrato, o envolvimento entre a alma e o mundo me interessa... Junto com uma boa expressão, ficou legal. ^.^

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