quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ÙLTIMO



Olhei pra ti,
- Era o último.
Fazia sol,
- Era o último.
Desejei naquele dia, permanecer ao teu lado...
Sentar na areia, no silêncio, o barulho do mar...
Acalmar...
Acalmando o âmago...
Fim de tarde.
- O último.
Em teus braços,
Meus braços e abraços...
- O último.
Sentir teus lábios...
Meus lábios,
Um beijo.
- O último.
Enamorar,
Pela última vez...
Respirar,
Pela última vez...
Falar-te,
No ouvido,
No pensar...
- Era o último...
Pensar, pesar...
Nas ondas, lia teus pensamentos,
Teu olhar,
- Era o último.
...um sonho bom...
Tu,
Eu,
- O último,
Hoje.
O dia,
- O último.

INSTANTES



Desviava o olhar...
Mas, ele estará ali, na sua frente.
Enroscado, no emaranhado dos seus pensamentos.
Problemáticas inconfundíveis o cercava.
Permanecera a cá, com cara de Tola,  impotente.
Ele parecia pedir colo...
E ela desejava dar-lhe, acolhe-lo...
Por um instante...
Silêncio.
Falou-lhe o silêncio...
Nada de muito agradável,
Mas estavam juntos...
Por um instante,
Isso bastava...
Buscavam,
Paz.
Numa lacuna,
Sede de fusão...
Estar no outro.
Desejos amiúde...
Momentos mnemônicos...
Inexorável olhar...
Vivencia inolvidável...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

09.16.26.31.10.17...HoJe.




Agora.
Hoje, em especial...
Borbulha em meu juízo, variadas
cenas...
Algumas repetidas,
Outras tantas, nem vividas...
Hoje.
Acordei pensando: - Como é louca
a vida...
Ou será curta?
- Pensamentos impermanentes.

Se “se” ou “poderá vir há ser”...
não sei se ainda importa ou “se importar” foi algo que diminuiu....
Estamos Hoje.
Compartilhamos.
Recomeço não,
Começar algo novo...
NOVO,
DIFERENTE,
AGORA,
Hoje.
Caminhos por vezes desconexos...
Desejos que se atraem...
Nada programado.
Apenas os desejos...
Hoje,
Estais aqui...
Estou em ti...
A cada nascer do dia...
Hoje.
Jamais ontem...
Talvez amanhã...
No final, sempre Hoje.
Ainda não somos “transcendentais”...
esperamos o amanhã...
E o viveremos...
Hoje.
Não é o ontem
Não será o amanhã...
Amanhã quando chegar será o
Hoje, é hoje.
Planejaremos...
Hoje,
Vivemos,
Hoje,
Hoje, nesse instante, o agora...
Hoje, a nostalgia do Ontem...
A ânsia do Amanhã...
Certeza,
Só Hoje...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Céu (II)




Naquela noite, resolveu dormir na varanda,
Lá mesmo na rede.
Seu olhar, meio trepido...permaneceu à contemplar aquele céu de noite estrelada, até cair no cochilo.
Havia acordado, antes do amanhecer...
Desejava ver a última  estrela da noite apagar e a única do dia nascer.
Era um dia de Sol.
Claro,
O Céu.
Escuro,
Seu Ser.
Permaneceu calado, sentado na rede.
Deu o primeiro suspiro,
Elevou-se...
Era a primeira vez que questionava suas sentimentalidades.
Aquelas, que tanto o angustiava...
Estava quente.
Levando sua mão até seu lânguido rosto,
Secou a lágrima que descia...
Levantou,
Mero engano.
A lágrima de sua face, ainda que seca,
Era apenas uma gota...
Uma estrela no meio de tantas...
Era o visível de algo maior...
Invisível.
Sinalizava  um ser imerso...
Que transbordava...
Por causa, efeito, consciente, inconsciente...
Vivi  à transbordar...
Não há dimensão...
É um Céu...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Vôo





Olho pela janela...
Você está lá, em cima, no topo.
Não estas só...
Nem acompanhado.
Estais livre!
Há! Livre!
E eu, a te olhar, não consigo me reconhecer.
Existe algo em mim que simbolicamente não sei explicar-te...
Almejo a ti...
A tua liberdade.
Quero ser livre.
Nem só,nem acompanhado...
Mas, se quiseres,
Disponho-me a compartilha contigo,
Até os mais singelos silêncios que pairam meu âmago...
Que de tão inquieto, me deixa trêmulo...
Não consigo me mover...
Te admiro de longe, de tão longe que nem percebes...
Talvez possas sentir meus pensamentos, porem nada revelas...
Ai, passarinho...porque voaste tão cedo?
Carregando contigo a beleza de meu olhar,
Outrora tão confiante e agora tão inquieto...
Levantarei meu vôo ...
indiferentemente passarinho...
Ei de encontrar-te...


A TRISTE HISTÓRIA DA FELICIDADE.

Moravam no campo da felicidade:  - Pedro, Juca, Mariazinha e mais dois irmãos. Apesar de não terem muito conforto em sua casa os cinco estavam sempre alegres, pois todas as noites o seu Vicente, descarregava seu caminhão bem próximo a casa deles e sempre trazia algo de novo. Logo os cincos iam correndo jantar e após, dormiam ansiosos para que chegasse rápido a noite do próximo dia. Cotidianamente antes de dormir, Mariazinha orava junto com os irmãos, agradecendo o alimento e pedindo por aqueles que nada tinham para comer.
Os dias passaram como de costume.
 Até que certa noite, seu Vicente não apareceu para descarregar o caminhão.
 Não jantaram. Agora com fome, oram da mesma maneira e vão dormir para assim saciá-la. Mariazinha chora no canto escondido...pela primeira vez, os irmãos vivem um momento triste no campo da felicidade: - Fome. Mas, triste está Mariazinha, por agora sentir e passar pela situação que milhares de crianças passam todos os dias.
Fecham os olhos e vão dormi.
Amanhece.
Os irmãos escutam barulhos estranhos, correm para verificar do que se tratava. – Máquinas e homens estranhos invadiram o campo da Felicidade!
Este foi o alarde de Mariazinha.
Desespero.
Os homens falam em aterro sanitário. – disse Juca.
Choram.
Agora passam fome e não tem casa...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

EFEMERIDADE EXISTENCIAL.



“ A Dúvida é o começo da Certeza” ?
O que?
Porque?
Aonde estou?
 De onde venho?
 Para onde vou ?

“ só sei que nada sei” – já dizia Sócrates.

Ele tinha razão...!?
A única certeza é a dúvida...tudo que sei é que viemos para esse mundo sem pedir...e sem querer seremos tirado dele....
Por que? Para que?
Não sei! Não entendo !
Não entendo, Não sei!

A vida em resumo, sobra isso...
Não saber, não ter certeza...

...bem , com dúvida ou sem dúvida ...
A vida continua...

PONTE


Ponte.
Um dente.
Ligação entre dois lugares.
Trabalho de uns. Moradia  de muitos.
Progresso. Pobreza.
Sonho e realidade.
Ponte.
Fome.
 Estado “subhumano”.
Revolta. Esperança.
Ponte.
Morte.
 Violência que não cessa...
Dorme e acorda todos os dias embaixo da ponte.