domingo, 29 de maio de 2011

Da Entrega



Tudo estava escuro.
Fechando os olhos, devagar...
Não tinha pretensão de ver -te.
Alí, passando do outro lado da calçada,
com os mesmos olhos doces, o riso brando no canto da boca...
Passos leves, não deixavam marcas.
Tocava os cabelos como se fossem a mais delicada flor, que só tu soube semear.
A harmonia de teu pensar era seu mais singelo orgulho, ainda que triste fosse teu amor...
Era puro e sincero.
Alegria de se amarem.
Mas, eis que não se pertenciam...
Aquele João, aquela Maria que de tantos, se  pareciam.
Não enxergaram a brisa passar.
No balanço do vento se perderam.
E de estarem desatentos, na entrega erraram o lugar.
Ei, de então abrir os olhos.
Para que distraídos, não se veja em desalento.

Se entregando...ao certo...ao nada...apenas Olhos.

3 comentários:

  1. Tem um ar singelo essa poesia! Bela de uma forma no pensar, tem lirismo.

    "Mas, eis que não se pertenciam...
    Aquele João, aquela Maria que de tantos, se pareciam."

    Nossa, tantos Joãos e Maria que se perdem todos os dias para encontrarem Josés e Josefinas!!!

    Lindo!

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  2. Fico contente em ter agradado Rafael!

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  3. Muito bom! O Início e o fim de um romance que, como tantos outros, nunca aconteceu...show de bola!

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